Por Professor,

Palmério Gusmão

 

Sobre o episódio em que George Floyd morreu na segunda-feira (25/maio) após ser sufocado por um agente que prensou o joelho contra seu pescoço, sendo que a vítima afirmava repetidas vezes que não conseguia respirar (…).

É difícil falar sobre isso, só quem passa é que sabe como é se sentir inferiorizado, e eu passei por isso, eu vivo isso, e é por isso que estou escrevendo aqui.

Refém de sua própria auto- apreciação o negro fica dentro da sociedade numa posição que ele só se destaca quando ele é inimitável, pelas artes, ou pelos esportes, ou alguma coisa que ele tenha de atributo físico, e isso é inconcebível.

Desde minha adolescência a sensação de opressão está sempre presente, como se quase estivesse carregando um peso muito grande nos próprios ombros, é assim que eu me sinto, desde criança.

Toda vez que o negro conquista determinada posição fica exposto de alguma forma, as pessoas acham que a gente não é merecedor das posições que a gente angaria.

Bastam observarmos as condições e o cenário em que se encontram algumas autoridades de gestão recentes no Brasil ou no exterior, quaisquer decisões são motivos de insultos a nossa etnia.

Se nós somos professores, se nós somos líderes comunitários, se nós somos um médico negro as pessoas confiam menos na gente. E ao atingirmos ou quando frequentamos alguns ambientes, encontramos o preconceito velado, geralmente aliado a um “sorrisinho sarcástico” tentando diminuir a nossa importância.

A sublimada discriminação étnica brida o acesso dos negros as melhores posições dificultando o desenvolvimento de sua carreira. Inferiorizando-o para consequentes posições hierárquicas, ainda que o negro estude, ainda que o negro tenha capacidade, ainda que o negro ele traga em si muita vontade.

Se o negro aceita isso, ele começa a achar que determinadas posições não são para ele.

Pense nisso!