Por Professor

Nikolas Lymberis Scuro

 

Você deve ter acompanhado o lançamento do foguete da Space X, batizado de “Nave Dragon Crew” neste dia 30 de Maio rumo à Estação Espacial Internacional. É pura história acontecendo diante de nossos olhos.

Caso não saibam, este é um lançamento diferente dos demais que vimos nos últimos nove anos, pois este é um foguete tripulado por dois astronautas!

O nome deles são Robert Louis Behnken e Douglas Gerald Hurley, ambos são astronautas da NASA desde os anos 2000 e foram cotados para esta nova missão, pois já possuem a experiência de duas viagens em ônibus espaciais, somando em média 29 dias de experiência fora da órbita terrestre.

O mais curioso disso tudo seria pensar, como chegar tão longe? Muitas crianças tem o sonho de se tornarem Astronautas pela gigante aventura que pode significar em nossas mentes, mas como chegar a este ponto? Qual caminho deve ser traçado? Qual faculdade devo fazer? Que caminho trilhar?

Para surpresa de muitos, nenhum de nossos Astronautas é Engenheiro Aeroespacial ou Astrofísico.

Hurley completou sua graduação em Engenharia Civil pela universidade de Tulane em 1988 e após isso, se tornou tenente do Corpo de fuzileiros Navais dos Estados Unidos, acumulando experiência de voos.

Behnken já possui duas graduações, uma em Física (1988) e outra em Engenharia Mecânica (1992). Após isso, concluiu um mestrado e um doutorado em engenharia pelo prestigiado Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech). Somado a este tempo, acumulou cerca de 1500 horas de voo em 25 tipos de aeronaves, tendo currículo suficiente para integrar o corpo de astronautas da Nasa.

E o que podemos tirar de conclusão desta antagônica correlação de graduação e astronauta? O que faz um engenheiro mecânico e um engenheiro civil no espaço?

A resposta é muito simples. Não existe regra.

A graduação, por mais dura que possa parecer para os alunos, é uma etapa importantíssima da vida acadêmica, na qual amadurecemos e acima de tudo, aprendemos a descobrir o que gostamos, o que amamos e o que não temos tanta afeição, e com sorte, descobrimos com o que desejamos trabalhar ou não trabalhar.

Após este caminho, em geral, temos mais experiência para saber onde queremos trilhar nossos passos, podendo ser este aqui mesmo na terra, ou até no almejado espaço. Por esta razão, existem tantos profissionais distintos em profissões não correlatas a sua área de atuação. Engenheiros em bancos, Artistas ajudando no desenvolvimento de tecnologia, matemáticos no ramo alimentício, e até mesmo, pessoas sem formação, que se encontraram no empreendedorismo, empregando diversos profissionais em funções distintas, o mundo é esta bela mistura de interesses e destinos e só você pode decidir onde quer chegar.

 

Sobre o Professor:

Nikolas Lymberis Scuro é professor e pesquisador, e atualmente é coordenador dos cursos de Engenharia e Arquitetura na Sumaré. Concluiu seu bacharel em Engenharia Mecânica pelo Centro Universitário FEI (2016) e recentemente concluiu seu Mestrado em Ciências Nucleares pela Universidade de São Paulo (2019), pelo Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN). Realiza pesquisas para o futuro energético do Brasil e do mundo, através de novas tecnologias em reatores nucleares Geração IV+. Tem como maior objetivo, fazer da engenharia nuclear e docência um caminho para um futuro melhor para as futuras gerações.